Realidade virtual faz o cuidador experimentar desafios enfrentados pelos idosos
(Foto: Reprodução) Realidade virtual leva idosos a locais nunca antes explorados por eles
JĆ” escrevi inĆŗmeras vezes sobre como a tecnologia pode ser uma ferramenta da maior importĆ¢ncia para cuidadores e adultos mais velhos. Recentemente, descobri a Front Porch ā o equivalente a varanda, alpendre ā uma organização sem fins lucrativos que hĆ” 20 anos atua nas Ć”reas de habitação acessĆvel, inovação em serviƧos e inclusĆ£o digital. Davis Park Ć© vice-presidente de transformação da entidade e elegeu como prioridades a redução do estresse do cuidador e a melhoria da qualidade do cuidado para idosos. Uma das iniciativas bem-sucedidas Ć© a de robĆ“s terapĆŖuticos de companhia, como o PARO ā uma foca bebĆŖ animatrĆ“nica interativa usada principalmente com pessoas com demĆŖncia.
Idosa se exercita em unidade da Front Porch
Divulgação
āEssas tecnologias aliviam o estresse diĆ”rio que os cuidadores familiares e profissionais enfrentam. A interação com os animais de estimação robóticos reduz significativamente a deambulação, a agitação e a ansiedade em idosos com declĆnio cognitivo, proporcionando uma pausa visual e emocionalā, afirma.
Park observou que os residentes das unidades do Front Porch passavam em mĆ©dia 25 minutos engajados com o robĆ“. Essa janela de tempo dĆ” aos cuidadores um intervalo livre de estresse para descansar, gerenciar outras tarefas ou simplesmente interagir com o idoso de uma maneira mais relaxada. āOs robĆ“s foram usados atĆ© mesmo no lugar de medicamentos psicotrópicosā, acrescenta, apontando que a tecnologia pode oferecer soluƧƵes nĆ£o quĆmicas para transtornos comportamentais.
Na sua opiniĆ£o, a telessaĆŗde e o monitoramento remoto de pacientes se tornarĆ£o ferramentas essenciais para reformular a forma como o cuidado Ć© prestado. Park Ć© um defensor da tecnologia que rastreia os sinais vitais (como pressĆ£o arterial, peso e açúcar no sangue) e checa a adesĆ£o aos medicamentos, mas faz uma ressalva: nada substitui as relaƧƵes humanas. āO objetivo de implementar sensores ou robótica Ć© lidar com tarefas mecĆ¢nicas, repetitivas ou estressantes, para que os cuidadores tenham mais tempo para conexƵes humanas genuĆnas. Suporte e treinamento nĆ£o sĆ£o negociĆ”veisā, ressalta.
No quesito treinamento, a organização desenvolveu, em parceria com a empresa Embodied Labs, uma plataforma de realidade virtual na qual o cuidador assume a perspectiva de idosos que vivenciam diferentes desafios do envelhecimento, tais como deficiência visual e auditiva e Doença de Alzheimer. Os resultados mostraram um impacto significativo: houve um aumento de 95% na compreensão das dificuldades de adultos mais velhos com perda auditiva e visual.
Numa das unidades conveniadas com a Front Porch, em Santa BĆ”rbara (Califórnia), dois robĆ“s rodam pelo salĆ£o de jantar. O trabalho deles Ć© entregar comida quente ā os pratos pedidos se mantĆŖm aquecidos em seu interior ā que sĆ£o distribuĆdos pelos atendentes humanos. Para os residentes, tambĆ©m representam uma diversĆ£o extra, porque cantam mĆŗsicas e ainda ānegociamā para evitar um choque quando estĆ£o prestes a colidir.FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/06/23/realidade-virtual-faz-o-cuidador-experimentar-desafios-enfrentados-pelos-idosos.ghtml