Caso Samylle: mãe tinha a guarda, mas não via a filha de 4 anos 'nem por vídeochamada', diz delegada
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Polícia Civil do RS investiga morte de menina de 4 anos em Porto Alegre
A mãe de Samylle Valentina Borba Ramiro, que morreu aos 4 anos, disse à polícia que não via a filha há pelo menos dois meses. De acordo com a polícia, a mulher relatou que não tinha contato com a menina "nem por videochamada".
"Todas as informações que ela tinha da menina eram ou através da avó ou através da irmã mais velha. Ela não estava tendo contato nem por videochamada nem presencialmente com a menina."
A Polícia Civil investiga a causa da morte da menina
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
A mãe de Samylle foi ouvida pela polícia pela primeira vez na manhã de quarta-feira (19). A mulher chegou à delegacia pouco antes das 11h, acompanhada de uma advogada, e prestou depoimento por cerca de uma hora. Os policiais questionaram o motivo de a criança não estar com a mãe, que possuía a guarda unilateral.
Ainda segundo a polícia, a mãe detalhou como as filhas foram divididas. "Acabou se separando do companheiro e foi para a casa de uma amiga. Ela não teria como levar as meninas consigo. Em razão disso, a menina mais velha passou a morar com o pai, e a menina mais nova ficou sob tutela de uma amiga, uma pessoa de confiança que morava na mesma rua. Logo em seguida, a tia pegou a criança para ficar consigo", explica a delegada.
Relembre o caso
Samylle deu entrada na madrugada de segunda-feira (17) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, já sem vida e com manchas roxas pelo corpo. Ela foi levada à unidade de saúde pelos tios.
A polícia foi acionada imediatamente após os médicos constatarem sinais de violência no corpo da criança. Segundo a Brigada Militar, o tio foi embora do local quando a viatura chegou. A polícia faz buscas por ele, pois seu depoimento é considerado fundamental para esclarecer o caso.
"Estamos ainda tentando localizá-lo para tomar o seu depoimento, que foi uma das últimas pessoas que teve contato com a menina, então o depoimento dele é essencial nesse momento", diz a delegada Alice Fernandes, responsável pelo caso.
A tia de Samylle já foi ouvida pelos investigadores. De acordo com a delegada, a mulher colaborou com as autoridades. "Prestou todas as declarações e até o presente momento ela ainda é considerada testemunha."
Para auxiliar na investigação, a Justiça autorizou a extração de dados de um celular apreendido na casa dos tios, onde a menina estava morando. O conteúdo do aparelho é considerado crucial pela polícia para entender o contexto da morte.
Menina tinha sinais de agressões
De acordo com a delegada, os profissionais que atenderam a menina na UPA identificaram marcas de agressões e relataram à polícia suspeita de violência sexual por conta do tipo das lesões no corpo dela. Um laudo oficial e conclusivo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), no entanto, ainda é aguardado pela polícia.
Um exame pericial preliminar aponta que a menina morreu em decorrência de múltiplas lesões pelo corpo.
Até o momento, não há suspeitos formalmente apontados no caso.
Samylle e irmã eram acompanhadas pelo Conselho Tutelar
Samylle Valentina e a irmã, de 9 anos, passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar em abril de 2025, após denúncias de abuso sexual do pai da menina contra a meia-irmã da menina.
Na ocasião, ambas foram encaminhadas para a casa dos avós maternos. Meses depois, em outubro de 2025, a guarda de Samylle voltou para a mãe.
Em julho deste ano, a tia informou ao Conselho Tutelar que a menina estaria sem os cuidados adequados da mãe.
Ela recebeu um termo de responsabilidade e buscava, na Justiça, obter a guarda definitiva da sobrinha. Poucos dias antes da morte, havia procurado a Defensoria Pública para tratar do assunto.
Samylle Valentina Borba Ramiro, menina de 4 anos que morreu no RS
Reprodução
Avós relataram ferimentos
Os avós maternos da criança foram ouvidos pela polícia na segunda-feira.
Segundo relataram em depoimento, Samylle apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. A explicação recebida na ocasião era de que as lesões teriam sido provocadas por uma queda.
Os relatos passam a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.
LEIA TAMBÉM
Polícia investiga morte de criança de 4 anos em Porto Alegre após agressões
'A investigação vai dizer se foi vítima de tortura', afirma delegado
Mãe de menina presta depoimento à polícia e diz que não via filha há dois meses
O que falta saber sobre caso Samylle
VÍDEOS: Tudo sobre o RS